O Dignità nasceu da iniciativa do casal José Roberto e Valdívia Prado que, em setembro de 2015, após o impacto da morte do menino sírio Alan Kurdi nas praias da Turquia, e encorajados por sua rede de amigos, entenderam que deveriam dar mais um passo concreto na luta contra o descaso em relação a crise mundial de refugiados.

José e Val, tendo trabalhado mais de trinta anos em diferentes organizações nas áreas do ensino, cuidado de excluídos e marginalizados, pesquisa, administração – sem esquecer da música, tendo morado fora do Brasil por duas ocasiões e conhecido inúmeros países, já estavam envolvidos com o acolhimento a refugiados em São Paulo desde 2013.

Durante este tempo, apesar de sua experiência transcultural, aprenderam bastante lidando com os novos desafios. Os pedidos de socorro vinham através de seus contatos no Oriente Médio e Europa, que encaminhavam as famílias refugiadas para serem acolhidas no Brasil. Nestas ações emergenciais, muitas vezes os Prados receberam os refugiados em sua casa, ou, quando isso não era possível, providenciavam hospedagem em pensões, hotéis, acampamentos…  Entre 2013 e 2015 participaram do acolhimento de cerca de 250 refugiados, em sua maioria sírios, mas também palestinos, libaneses, jordanianos, congoleses e paquistaneses.

O passo definitivo pra criação do Dignità foi a decisão de alugar uma casa pra servir de casa de passagem pra famílias refugiadas em situação de risco. Em outubro de 2015, com o apoio de sua rede de amigos, saindo de sua zona de conforto, José e Val organizaram a “Casa Azul”, na zona oeste de São Paulo. A formalização do Dignità foi uma consequência necessária.

Para além da questão do acolhimento, o Dignità nasceu também com a consciência que de que somente a face assistencial não levará às mudanças necessárias nas questões de políticas públicas. Por isso, uma de suas principais vocações é lutar na área de conscientização da sociedade civil e também de incidência (advocacy) para que os órgãos públicos nacionais e internacionais sejam sensibilizados e instados a tomarem atitudes práticas quanto à defesa da dignidade humana, da liberdade religiosa e de expressão, e do estabelecimento da justiça e da paz.

Uma outra vocação natural do Dignità, a partir do perfil artístico de seus fundadores, é promover a integração social e a abordagem de seus temas chave (dignidade, justiça e paz) pela via da arte, da educação e da cultura, semeando a paz e o respeito às diferenças.